domingo, março 31, 2013

OS ENSINAMENTOS LOGOSÓFICOS...




                                OS ENSINAMENTOS LOGOSÓFICOS...

                                             Marco Aurélio Chagas

Muitas vezes não deixo que trabalhem dentro de mim.

Às vezes, os interrompo em seus conselhos, imaginando que já entendi o que queriam me transmitir.

Por vezes não os ouço. Faço de conta que não é comigo.

Em outras ocasiões, eles me caem como uma luva e desfruto intensamente dos benefícios que me fazem experimentar.

Sinto uns mais que outros.

Há certos que penso: foram criados para mim.

Alguns me são incompreensíveis.

Outros, os considero inacessíveis e muito profundos.

Há os de fácil aplicação.

Quando estou bem internamente os quero a todos e me sinto um privilegiado por tê-los a minha disposição a todo o instante.

Procuro ler todos os dias alguns. Estudar outros e manter em minha mente aqueles que me dizem algo sobre a minha vida.

Em raras ocasiões felizmente eu me canso de alguns que me cobram alguma conduta que meus pensamentos não querem ter.

Muitos me agradam e sempre os recordo com carinho e afeto.

Há os que têm um lugar de honra em minha mente e sentir.

Há os que me repreendem e me fazem seguir o método.

Há os que vêm à recordação em momentos que deles necessito profundamente.

Sempre encontro um que tem a ver com meu estado de ânimo.

Há os que me transmitem um estado de profunda reflexão.

Certos me explicam situações que vivi e compreendo melhor os estados por que passei.

Já identifiquei os que agradam ao meu espírito. Outros acalentam minha alma.

Há aqueles que acalmam minhas inquietudes. E os há que despertam outras mais profundas.

Em muitos, encontro um conselho, uma orientação, um norte.

Outros me advertem do perigo e me fazem ter cautela ao atuar.

Há os que me despertam para uma realidade que jamais poderia imaginar.

Muitos me sugerem ideias originais.

Outros são verdadeiras normas de conduta.

Há os que me descortinam um mundo a ser vivido iluminado pelo conhecimento.

Certos definem posições almejadas.

Muitos me mostram que a vida é muito mais ampla do que parece.

Alguns são tão delicados que dão a sensação de que poderiam se espedaçar ao serem tocados pela mente especulativa.

Existem os que se explicam por si. Há outros que se completam.

Há os que infundem vigor, valentia e a sensação de força, fortaleza.

Identifiquei alguns que descortinam a minha intimidade sem devassá-la, ao contrário, a protegem

Muitos se dirigiam a minha consciência.

Há os que ficam em minha mente muito pouco tempo e eu não consigo retê-los como deveria.

Há aqueles que fazem às vezes de consciência e me impedem de errar e praticar desacertos.

Há os que me poupam do sofrimento.

Já percebi que alguns são brincalhões e despertam em mim a alegria de viver.

Há os que me fazem circunspecto e reflexivo.

Muitos me convidam a mudar de vida, a buscar um novo rumo.

Alguns me alertam para as pedras que encontrarei no caminho e me auxiliam a afastá-las.

Há aqueles que como auxiliares me fazem compreender outros.

Há os que me fazem resignar diante daquilo que não compreendo.

Há os que desmascaram o falso, o embuste.

Há os que me mostram a verdade.

Muitos que convidam a combater as deficiências.

Muitos me ensinam a pensar.

Outros não me deixam temer.

Muitos despertam em mim o ideal de ser melhor, de fazer o bem.

Determinados me convidam a praticar a generosidade.

Encontro em alguns um amigo, um confidente.

Não raro me indisponho com alguns. Não os quero.

Há aqueles que são tão bonitos que quero guardá-los por inteiro, espetando-os como borboletas, inertes em um cartão.

Há alguns que não me contento em lê-los uma ou duas vezes, os leio muitas.

Certos são tão intrigantes que penso em destrinchá-los, imaginando que me vão revelar um segredo.

Alguns me mostram o feio que há dentro de mim.

Outros me apontam para o superior.

Em alguns sinto paz, tranquilidade.

Outros me sugerem fazer muitas coisas e realizar proezas.

Em alguns encontro apoio para certos afazeres.

Em outros a ressonância do que a minha sensibilidade aponta.

Há os que me mostram aqueles pensamentos que devem ser desalojados de minha mente.

Há os que querem que eu enfrente situações que contrariam o meu comodismo.

Alguns não me deixam cair na inércia, querem que lhes dê alguma atividade.

Outros me infundem uma segurança no futuro.

Há os que me fazem confiar num amanhã repleto de realizações.

Em certos vejo claramente o objetivo de minha vida.

Em outros sinto a eternidade.

Em muitos experimento a alegria de viver, de estar vivo.

Em outros, a sensação de que viverei eternamente.

Há os que me infundem uma sensação de que jamais ficarei desamparado.

Em outros, a segurança de que não estou só.

Há os que são como os amigos, os quero a meu lado, me divirto e me distraio com eles.

Existem aqueles que me fazem sonhar e me elevam a regiões inimagináveis.

Em outros não acredito no que me dizem. Quero comprová-los, pô-los a prova.

Diversos afastam de mim o descontentamento e volto ao estado natural de boa disposição.

Muitos me estimulam a estar sempre bem disposto para o que der e vier.

Outros me fazem ver além do horizonte.

Alguns me apóiam em minhas atitudes.

Outros, aparentemente contraditórios, me dão a sensação de me estarem dizendo a verdade.

Nenhum deles não me defraudou.

Nunca me arrependi de ter dedicado a eles o pouco de meu tempo.

Sempre os encontro bem dispostos a me ajudar.

Não os quero longe de mim.

Quando me ausento deles, sofro as consequências desse afastamento que se reflete em meu estado de ânimo.

Junto deles acompanho com mais desenvoltura e eficácia os avanços desta Obra de Superação.

Sem eles não sei se conseguiria avançar no caminho da evolução consciente.

Através deles pude conhecer um pouco mais o seu autor e a respeitá-lo.

Ao lado deles, todos os problemas humanos parecem ter solução.

Eles convidam a lutar uma e mil vezes.

O contato com eles me faz sentir um ser digno.

Eles me mostram de forma eloquente os recursos internos que hão de me valer para superar as situações enfrentadas nesta vida.

Com eles tenho a sensação de que minha inteligência funciona melhor.

Em sua totalidade percebo que meu espírito se sente saciado.


domingo, junho 10, 2012

O TEMPO PASSA...


O TEMPO PASSA...

                                                         Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas
 
                                                Hoje desfruto da chamada «melhor idade». Como foi minha vida até aqui? Plantei, colhi, voltei a plantar e torno a colher. E também planto para o futuro. E os ideais? Os sonhos? As aspirações? Os anelos? Mudam.

                                                  O horizonte é outro. Não é o mesmo da infância e não pode ser igual ao da juventude. Ainda bem!

                                                 Sei que plantarei e continuarei colhendo o que plantar até o final dos tempos. Do meu tempo. Anelo que as colheitas sejam profícuas.

                                                 Como manter o entusiasmo e a boa disposição dos tempos da juventude? Como continuar sonhando e tendo a vontade de viver e ser melhor? Sei, alimentando um ideal, o ideal superior de aperfeiçoamento.

                                                Mais que nunca, a vida é luta e devo continuar lutando, rompendo com minhas debilidades e limitações. Enfim, SUPERAR!


sexta-feira, agosto 26, 2011

DUAS CRÔNICAS


Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas*

O Dr. Alfredo passou um dia bastante atarefado e estava exausto ao final do dia. Não via a hora de ir para o aconchego de seu lar, onde lhe esperavam sua amada esposa e querida filha de aproximadamente quatro aninhos.

Enfrentando um trânsito caótico finalmente abria o portão da garage de sua residência, chegando de mais uma jornada de trabalho.

Abriu a porta da sala e se deparou com sua mulher resmungando e muito nervosa.

- Você tem que conversar com a sua filha Isabella, ela está impossível, não a aguento mais!

- O que foi que aconteceu? Expressou o pai, jogando o seu paletó no sofá no canto da sala.

- Sabe aquela rosa que estava linda naquela roseira, no jardim, ela a arrancou.

- A Isabella?

- Sim.

- Como você sabe que foi ela? Não teria caído?

- Não. Não poderia ser outra pessoa. Não havia ninguém aqui, a não ser nós duas.

- Isabella, gritou o pai, indo para o quarto da criança.

Chegando lá, a menina brincava com suas coisas e ao ver o pai, correu em direção ao seu armário e dali tirou uma linda rosa vermelha e alegre e saltitante foi em direção ao pai, dizendo:

- Veja o que colhi para você!

O pai, assustado e desconsertado ficou imóvel no meio do quarto e a menina rindo:

- Tome papai, é para você. Veja que linda flor!

O pai agachou-se, pegou a rosa que a filha lhe estendia e abraçando-a, agradeceu o presente.

Uma lágrima rolou na face do pai. A filha arrancara a rosa de seu talo, na roseira, para oferecê-la ao seu querido papai.

A mãe vendo aquela cena, também se emocionou.

O pai disse à filha que seu gesto era muito lindo, porque expressava um nobre sentimento de gratidão. Mas acrescentou com o intuito de transmitir a ela outro elemento útil a sua formação como pessoa, também, que aquela flor ficaria muito viçosa se continuasse no seu talo, junto à planta.

Por fim o pai, analisando essa vivência ao lado de sua mulher e longe da filha, expressou que felizmente não externou o pensamento de impulsividade quando recebeu a notícia de que a rosa fora arrancada da roseira, porque se tivesse agido precipitadamente poderia ter maculado aquele instante tão sublime, em que a filha, inocentemente, praticara aquele ato, movida por um sentimento nobre de amor ao pai.

***




Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas*

Indo para casa, de ônibus, após um dia de trabalho vi uma passageira sentada à minha frente ao celular.

Falava, falava, ouvia, falava. Mais falava que ouvia. Todos na condução ouvíamos, porque o tom de voz era audível até ao final do veículo.

A conversa era variada. Saia de um assunto para outro e quem ouvia imaginava o outro lado do diálogo.

Não havia o cuidado da passageira em medir ou selecionar as palavras pronunciadas. Muitas não poderia reproduzi-las aqui. Por vezes, a indiscrição tomava conta do palavreado.

Lá pelas tantas, no trajeto da viagem, ouvi tanta coisa daquela conversa ao telefone que tive a impressão de que já conhecia a intimidade da pessoa. Falou de seu relacionamento amoroso, entrando, por vezes, em detalhes que devassavam a vida privada da jovem. Fiquei sabendo de coisas que não precisaria ter tomado conhecimento. Em determinados momentos ficava até “sem graça” de estar ouvindo coisas da vida privada que estavam ali naquela conversa, sendo expostas sem qualquer constrangimento ou escrúpulo.

Os demais passageiros do “buzão” estavam atentos àquela conversa telefônica que atraia a atenção de todos, por ser tão desprendida e totalmente livre de censura e no comentário de alguns, “despudorada”.

Um esboçava ou sorriso amarelo, outros viravam o rosto demonstrando desagrado e a maioria permanecia totalmente voltada para o “diálogo” inusitado, porque se ouvia apenas um interlocutor e o outro, imaginava-se o que dizia ou expressava.

Quem descia do ônibus o fazia com certo desconforto, porque em realidade queria continuar se deliciando com a audição propiciada pelo pequeno aparelho. Havia os que apeavam com pena de ter que descer naquele momento tão interessante da conversa.

Finalmente foi a minha vez de descer. Dei o sinal. Fiquei pesaroso de ficar impedido de continuar ouvindo aquele diálogo e ao sair do veículo e tomar o meu destino fiquei a pensar na facilidade que temos de expor e colocar para fora, sem qualquer pudor, as coisas que nos são tão íntimas e expô-las para que qualquer um as ouça ou veja, devassando ou, no pior dos casos, nos virando do avesso, dando-nos a sensação de vazio e fragilidade. Senti, nessa vivência, a discrição como um valor a cultivar nessa vida, em que vivemos mais para fora que para dentro de nós mesmos.

***
*Advogado tributarista. Autor de vários livros publicados no CLUBE DE AUTORES.

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sábado, dezembro 26, 2009

A INICIAÇÃO NA MAIS ALTA DAS CIÊNCIAS

A INICIAÇÃO NA MAIS ALTA DAS CIÊNCIAS



Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas


Há algum tempo o Senhor De Sándara é o meu livro de cabeceira.

Desde a juventude tomei contato com ele.
 Nessa época lia também os livros de aventuras da chamada literatura infanto-juvenil como: O Máscara de Ferro, Robinson Crusoé, a Ilha do Tesouro, O Conde de Monte Cristo e Dom Quixote.


Nesses livros alimentava a minha imaginação e me via vencendo obstáculos e conquistando a princesa de meus sonhos juvenis.


Na leitura do Senhor De Sándara encontrava estímulos que despertavam em mim o ideal de ser melhor, de fazer o bem, de ser útil à humanidade.


Algumas imagens do livro tiveram forte influência em minha vida nessa época de jovem.


A referência à experiência matrimonial me incentivava a seguir os exemplos de Cláudio e Griselda e a buscar a Bela Acordada e a fugir da imagem inculcada em minha infância, do príncipe encantado.


Imaginava e sonhava guiar a minha experiência matrimonial com os elementos contidos no Senhor De Sándara.


Os personagens me fascinavam. Identificava-me em algumas situações com uns.


Em outros momentos um personagem se assemelhava a um pensamento que tinha em minha mente.


Esse livro me fez enxergar o meu mundo interno, povoado de pensamentos.


As situações vividas por Cláudio em muitas delas eu me via. Ele lá na frente superava aquele estado e eu em minha insipiência continuava, mas sentia a sensação real de que também poderia mudar de estado.


Em quantos momentos de minha trajetória eu me senti débil, sem forças para continuar nesse esforço de superação e encontrava na tenacidade, no empenho constante de Cláudio em romper com as suas debilidades e me via recobrando as forças e querendo continuar lutando!


Compreendi muitas coisas que me inquietavam e me faziam sofrer. Ao tomar contato com trechos do livro que me descreviam o grau de egoísmo a animar o mendigo que nada fazia para romper com seu estado de coisas, uma inércia e acomodação e vendo o exemplo daquele que queria deixar de mendigar...


Poderia enumerar muitos pontos do romance que me calaram fundo.

1) AS COISAS NEM SEMPRE SAEM COMO SE QUER
Quem não se recorda daquele que fala que as coisas nem sempre saem como se quer.


2) JAMAIS OCULTAR-SE DOS SEMELHANTES
O outro que nos ensina a jamais se ocultar dos semelhantes.


3) O HOMEM DEVE CONHECER TUDO
O que exorta o homem a conhecer tudo para não ser surpreendido pela argúcia.


4) ÍMPETOS JUVENIS


O que diz dos ímpetos juvenis.


5) OS EXTREMOS EXCEDEM AS MEDIDAS


E a afirmação de que os extremos sempre excedem as medidas.


6) A LINGUAGEM DA SENSIBILIDADE SE ARTICULA NA ALMA


E sobre a linguagem da sensibilidade, afirmando que ela se articula na alma.


7) A VIRTUDE DO INESPERADO


E aquele trecho da virtude do inesperado que altera temporária ou definitivamente o ritmo monótono da vida.


8) AFASTAR O RETRAIMENTO COM DISCRIÇÃO


E o do retraimento que deve ser afastado com discrição.




9) A SENSIBILIDADE CHAMA O AMOR POR SEU NOME

Quem não se lembra daquele que diz que a sensibilidade chama o amor por seu nome e em nada o abandona.

10) A SENSIBILIDADE EXIGE CORRESPONDÊNCIA

 
Ainda sobre a sensibilidade, a de que ela exige uma total correspondência.


11) A INSENSATEZ CRIA PROBLEMAS


O de que a insensatez cria problemas.


12) A LIBERDADE DÁ CONTEÚDO À VIDA
Sem falarmos da liberdade. Ela dá conteúdo à vida e é fruto de uma conquista.

Quantos conceitos são lembrados no romance!

 
13) O CULTIVO DA AMIZADE ENCERRA GRANDEZA
O cultivo da amizade que encerra uma grandeza.


14) O TRIUNFO DO AFETO
O triunfo do afeto sobre a formalidade e rigidez dos preconceitos.


15) O CORAÇÃO AMANTE
Que o coração amante não pode conter a pontualidade do amado.

16) AS AUSÊNCIAS
Sobre as ausências que a vida impõe.


17) OS DITADOS DO CORAÇÃO
E os ditados do coração favorecendo os bons propósitos.


18) O AMOR CONCILIA
O de que o amor concilia quando é amplo o entendimento.


19) A DOENÇA DO VAZIO
O da “doença do vazio”, misto de melancolia e abandono.


São tantas pérolas !


20) A VIDA NÃO DEVE CORRER PELOS CAMINHOS ENCORREGADIOS
O de que a vida não deve correr pelos caminhos escorregadios da inconsciência.


21) PREPARAR OS DIAS FUTUROS
O segredo de preparar os dias futuros com antecipação.


22) A IDADE COM O TEMPO...
O de que a idade com o tempo nos torna mais lentos e a mente já não responde com presteza e nem lucidez.


23) QUANDO JOVENS CONSEGUIMOS EXPLICAR...
A afirmação de que quando jovens conseguimos explicar tudo o que nos intrigou em crianças.


24) O EFÊMERO NÃO PODE PREJUDICAR O PERMANENTE
O de que o efêmero não poderá prejudicar o permanente.


25) É PRIVILÉGIO NASCER DUAS VEZES
O de que é privilégio nascer duas vezes. A primeira, segue as leis biológicas, a segunda, a espiritual.


26) O ESPÍRITO QUER ASSUMIR A CONDUÇÃO DA VIDA
A afirmação de que o espírito quer assumir a condução de nossa vida.


27) É UM CONVIDADO DE PEDRA
Ele é um convidado de pedra.


28) NÃO PEDE RECREAÇÃO
Ele não pede recreação.


29) DEVE DESEMPENHAR UM PAPEL PRINCIPAL
Ele deve desempenhar um papel principal na existência.


30) AS IDEIAS FORMAM FAMÍLIAS
A interessante revelação de que as idéias formam famílias.


31) O VERDADEIRO CAMINHO SE ENCONTRA DEPOIS DE MUITO ANDAR
A de que o verdadeiro caminho é encontrado depois de muito andar.


32) PROVAR O QUE CREMOS BOM
Devemos provar o que cremos bom.


33) O SOFRIMENTO TEM ORIGEM NA IGNORÂNCIA
A afirmação de que o sofrimento tem origem na ignorância.


34) O QUE SABE TAMBÉM SOFRE
E o que sabe também sofre em obediência a outras causas.


35) A ESPERA É UM PARÊNTESE
A de que a espera é um parêntese que se abre em nossa vida e quem não o utiliza corre o risco de perder a paciência.


36) RESULTADO DO PRÓPRIO ESFORÇO
Cada um é o resultado de seu esforço.

37) A HERANÇA É CUSTODIADA PELO ESPÍRITO
Que a herança é custodiada pelo espírito.


38) HÁ ILUSÕES SUBLIMES
Há ilusões sublimes fruto da inspiração racional e essas são alcançáveis.


39) DENTRO DE NÓS HÁ RECURSOS
Que dentro de nós há recursos que nos ajudam a ser feliz de verdade.


40) A MULHER DEVE CONQUISTAR O HOMEM DUAS VEZES
Que a mulher deve conquistar o homem que ama duas vezes. A primeira, com seu físico e a segunda, com o seu espírito.


41) QUANDO A VIDA NOS SORRI...
Que devemos corresponder a seu gesto, quando a vida nos sorri, mostrando-nos alegres.


42) FALTA ARTE CAPAZ DE MODELAR...
Que falta uma arte capaz de modelar o pensamento e o sentir dos homens.


43) AS VERSÕES SOBRE AS PESSOAS...
Que as versões sobre as pessoas nem sempre coincidirão com a realidade.


44) A MULHER DEMORA MAIS TEMPO...
A mulher demora mais tempo em aprovar o seu penteado do que em se vestir.


45) A SOBREVIVÊNCIA DA ALMA
A única sobrevivência da alma é renascer em si após a superação do velho ser.


46) PRESERVAR OS ANELOS
Os anelos devem ser preservados e não expostos.


47) VIRTUDE DO CONHECIMENTO
É virtude do conhecimento converter os anelos em realidade.


48) LABIRINTO
O labirinto o constitui os caminhos ilusórios.


49) O MUNDO PARADISÍACO
O mundo paradisíaco está reservado aos forte de espírito.


50) QUERER TODOS OS DIAS
Querer todos os dias com a mesma intensidade.


51) A EXPERIÊNCIA NOS TORNA SÁBIOS E PRUDENTES
A experiência nos torna sábios e prudentes, quando não recusamos seu conselho.


52) GRAU DE PROBIDADE DE QUEM JULGA
Devemos descobrir o grau de probidade de quem julga.


53) OS VERDADEIROS AMIGOS
Os verdadeiros amigos são os que penetram a fundo em nosso coração.


54) O ESSENCIAL...
O essencial é saber o que queremos ser e fazer.


55) O QUE ESTÁ CONTIDO NA NATUREZA FEMININA
Na natureza feminina está contida grande parte dos mistérios que o homem deverá descobrir.


56) O AMOR DE DEUS
O amor de Deus é o que anima a Criação.


57) A ALMA DA MULHER É DÓCIL ÀS MUDANÇAS
A alma da mulher é dócil às mudanças impostas pela evolução.


O homem unido a uma mulher pode fazer mais.


58) A CULTURA NÃO CONSEGUIU...
A cultura não conseguiu formar no homem a consciência de um destino superior.


59) A HUMANIDADE SEGUE POR CAMINHOS INCERTOS
A humanidade segue ainda por caminhos incertos.

60) AS EXPERIÊNCIAS INSTRUEM
As experiências instruem.


61) A SOLUÇÃO DOS CONFLITOS INTERNOS
A solução dos conflitos internos e dos problemas íntimos concernem a cada um resolver.


62) REAÇÕES PSICOLÓGICAS PROVOCADAS PELA VAIDADE
Há reações psicológicas que são provocadas pelo encrespamento da vaidade.


63) A ERUDIÇÃO
A erudição leva a predicar sem realização pessoal.


64) A OBSERVAÇÃO DIRIGIDA PELA CONSCIÊNCIA
A observação dirigida pela consciência converte-se em dona e senhora de nosso mundo interno.


65) A FIDELIDADE
A fidelidade é sustento inapreciável do sentir.


66) O AMOR PERDURA QUANDO SE CONVERTE EM AFETO
O amor somente perdura quando se converte em afeto.


67) A EXISTÊNCIA DE DEUS SE PROVA...
A existência de Deus se prova pela existência de tudo o que nos rodeia.

68) O ESPÍRITO EVOLUI NA CONSCIÊNCIA
O espírito evolui na consciência.

69) PALINGENESIA
Renascer em outra vida no período de existência aqui na terra é possível.


70) O ELO PERDIDO É O ESPÍRITO. SUA MISSÃO...
O elo perdido é o espírito. Sua missão é a de enlaçar o homem com o seu Criador.


71) À CRISÁLIDA HUMANA INTERESSA A BORBOLETA
À crisálida humana deve interessar a borboleta não a larva.


72) O QUE É FUNDAMENTAL
É fundamental a descoberta do destino e não nossa origem.


73) A CRIANÇA É ATRAÍDA PELO MUNDO DO ESPÍRITO
Toda criança na infância é atraída pelo mundo do espírito.


74) OURO MATERIAL
O bem que fazemos é ouro imaterial a ser poupado no Banco Universal.


75) FORJAR UM DESTINO MELHOR
Forjar um destino melhor.


Trabalho inspirado no livro: O Senhor De Sándara, romance de autoria de Carlos Bernardo González Pecotche.



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SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA MENTAL

SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA MENTAL


Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

O que conheço do meu sistema mental?

Sei que possuo duas mentes ainda para mim desconhecidas, em sua maior parte.

A mente é um espaço onde se encontram as faculdades e os pensamentos.

Como tenho usado minha mente? Uso com muita frequência a mente inferior, porque ocupo mais o meu tempo tratando das coisas de minha subsistência.

O espaço mental dedicado às coisas do espírito é bem pequeno.

A absorção pelos assuntos materiais é bem grande, quase que não há espaço mental para os assuntos de ordem transcendente.

Onde está a falha?

Há falta de interesse para os temas pertinentes ao espírito?

Os pensamentos que gravitam nessa mente e que mais transitam nela são de ordem física, encarregados da solução dos problemas de natureza material tão somente.

Por que não há um espaço mental maior para o trato espiritual? Quais as causas desse descaso? Desconhecimento? Falta de interesse? Pouco adestramento no trato com os temas superiores?

Quais os pensamentos que estão em minha mente e se dedicam às coisas de ordem espiritual? São, naturalmente, os pensamentos colhidos dos estudos de ensinamentos de ordem superior. Mas são pensamentos tão pequenos e que necessitam de um cuidado todo especial que, às vezes, ou muitas vezes, durante o dia, pouco atuam no cenário mental e quase nenhuma influência têm em minha conduta diária. Por que? O que está faltando para que eles sejam mais ativos e tenham uma participação mais efetiva nesse recinto de minha mente?

O que sei de minha mente?

Sei que há nela pensamentos de longa data, de diversa índole, alheios ao ideal de superação, comuns, que atendem, como disse, a preocupações de ordem comum, material. O que deve me interessar são os pensamentos de outra índole, afeitos às tarefas do aperfeiçoamento. Dar cabida na mente a pensamentos elevados é a solução.

Mas não basta ter pensamentos elevados na mente é preciso que eles tenham uma atividade dentro dela. Eu me pergunto, então, quais os pensamentos superiores que estão em minha mente e que atividades desenvolvem? Ou estão ali impedidos de atuarem porque o espaço mental é pequeno ou quase nenhum para eles? Qual é a sensação que tenho? Como sair desse estado? Como conquistar mais espaço mental para os pensamentos de natureza superior?

Quantos pensamentos próprios tenho na mente?

São todos alheios?

E as faculdades mentais? Como estão as minhas?

Tenho feito observações consciente? Que uso tenho feito de minhas observações?

E a faculdade de pensar, como a tenho usado?

Estou realmente pensando?

E a de refletir? E a de raciocinar?

Quando estou diante de um problema, uso minhas faculdades mentais para solucioná-lo? Ou me valho de pensamentos alheios?

Qual a solução que tenho dado a minha vida?

Qual é a solução melhor ou feliz para a vida?

Penso que a solução para a vida é a busca do eterno, através do conhecimento transcendente. Eternizar a vida é a solução. Ir em busca das causas permanentes. Romper com o circunstancial, com o efêmero, com o passageiro. Construir no eterno. Pensar no eterno. Elevar a vida. Como?

Sinto que devo me ilustrar muito com o conhecimento que derramará luzes no recinto mental que ainda se encontra na penumbra. A minha consciência não a ilumina satisfatoriamente. Devo me valer de uma consciência superior para iluminar a minha mente.

O mundo interno é ainda um grande desconhecido para mim. Conheço muito pouco ou quase nada desse mundo íntimo, tenho referências maravilhosas dele fornecidas pelo conhecimento, mas ainda não o conheço com meu entendimento. Ainda falta disposição para penetrar mais profundamente nesse mundo interno que me descobre o ensinamento dessa natureza.

Não sou dono, posso dizer de meu mundo interno. Dele nada conheço.

O que sou? Quem fui? E o que serei? O que estou sendo? Quero ser o quê?

Para onde vou? Onde estive? Para onde estou caminhando? Onde quero chegar?

 
Qual o meu ideal? E o meu arquétipo? O que já concretizei dele? Está muito distante de mim?

 
O que quero da vida? E o que ela quer de mim?

 
Por que estou nesta Terra? E quanto tempo ficarei por aqui?

 
Qual a minha missão?


O que devo fazer pela vida?


Por que sou o que sou?

 
Onde está a criança que fui? O que dela resta dentro de mim?


Que consciência tenho da vida? Da vida que vivi, da que estou vivendo e da que viverei no futuro?


O que tem tudo isso a ver com a mente?


É na mente onde está a origem de tudo?


Sim, é nela que encontrarei a resposta a todas essas inquietudes. Se ela é, pois, a causa primeira, nela encontrarei as soluções e as respostas. Por isso, devo conhecê-la a fundo.


O que existe dentro de minha mente? Só com o conhecimento poderei ver melhor com os olhos do entendimento.


Em minha mente se encontram os pensamentos. Quais?


Dependendo das circunstâncias da vida, alguns pensamentos gravitam nela com mais intensidade.


Na convivência, alguns predominam e se refletem na conduta. Quais?


Na convivência com familiares, alguns estão presentes. Na convivência com outros seres humanos, os pensamentos não são os mesmos. Por que? O que está por traz disso? O que está ocorrendo em minha mente?


Estou aprendendo que em toda convivência, seja ela com familiares ou outros seres, posso conhecer-me mais. Conhecer os pensamentos que atuam. Conhecer os pensamentos que ditam a conduta a ser adotada.


Refletindo e estudando sobre a propensão ao isolamento conclui-se que o isolamento não é benéfico para aquele que se dispõe a aperfeiçoar as suas condições internas.


Na convivência, ou melhor, nessa convivência com os familiares coloco à prova os recursos internos com que conto e, também, deixo de manifesto os pensamentos que predominam em minha mente.


Nessa convivência, as faculdades mentais funcionam e os pensamentos se movimentam no recinto mental, pois são provocados e até convidados a atuar.


Na convivência no ambiente familiar, próximo ao meu interno, íntimo, alguns pensamentos que vivem em minha mente atuam e se desenvolvem dentro da mente, cumprindo um objetivo de atender as atividades que ali sou levado a exercer.


Na convivência na família, outros pensamentos tomam a frente e se expressam na conduta.


De fato, nas várias convivências é que encontramos o incentivo para não mantermos inertes as faculdades da mente e os pensamentos que nela vivem.


Na convivência combato o egoismo, cultivo a sociabilidade e cumpro com uma lei natural de sobrevivência.


Quais os pensamentos que convidam ao isolamento? Os de ceticismo e os de indiferença.


Qual a causa da propensão ao isolamento?


É na convivência que se pode avançar no aprimoramento de nossas características e alcançarmos o aspirado conhecimento de si próprio. Enfim, quem quer se conhecer melhor e de forma real e efetiva não deixe de conviver nos vários ambientes que nos é dado fazê-lo, com os demais.















sexta-feira, dezembro 25, 2009

A SENSIBILIDADE UNIVERSAL

A SENSIBILIDADE UNIVERSAL


Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

Desse estudo pude observar que ao cultivar a sensibilidade eu vou descobrindo que a vida passa a ter outro colorido, instantaneamente compreendo quando minha conduta é boa ou quando não me porto muito bem, ou mal. A sensação interna de aprovação ou reprovação é experimentada sem que a minha razão interfira.

E desse cultivo eu posso estabelecer contato com outras sensibilidades e ainda com a sensibilidade universal.

O segredo está, então, em cultivar a sensibilidade.

Como cultivá-la se nem sequer sabia chorar com o sentimento? Digo não sabia porque hoje minha conduta mudou muito, ao me recordar de que em muitos momentos verti lágrimas que manifestavam gratidão a um ser querido, a um instante vivido, a um bem recebido.

O contato com a sensibilidade universal se pode dar através do sofrimento. Entretanto o grande é encontrar esse contato, justamente, nos momentos de felicidade e não de sofrimento.

É, portanto, mais difícil estabelecer esse contato com a sensibilidade universal nesses estados de alegria, de prazer, porque nesses instantes estamos adormecidos.

E uma deficiência que nos impede de estabelecermos o contato com a sensibilidade universal, quando estamos alegres é o esquecimento.

Quando sofremos queremos que todo o mundo pense em nós.

Observo que percebo muitas manifestações da sensibilidade universal e que têm conseqüências práticas em minha conduta de ser humano.

Quais são essas conseqüências?

Recordar de Deus nos momentos de alegria e de júbilo é uma conduta que vou adotando à medida em que cultivo minha sensibilidade.

Em certa ocasião fui ao campo, em uma região muito bonita, em que a natureza se mostrava exuberante e ao ver a vaca alimentando sua cria experimentei uma sublime sensação indescritível em palavras. Não estaria aí a manifestação da sensibilidade universal?

Há imagens que refletem essa sensibilidade universal. A imagem do sol que esta generosamente iluminando a terra. A imagem de que a alma é uma partícula de Deus. A de que devemos ser como os rios que renovam constantemente suas águas. A de que as montanhas existem para nos dizer que nem tudo e baixo neste mundo, que há alturas que podemos escalar. A de que há plantas que crescem e que, por sua vez, dão sombras para aquelas que lhe abrigaram quando era tenra. A de que na natureza nada dá saltos. A planta humana que pode dar frutos constantemente. Ver no bem que faz o semelhante a presença de Deus.

CONSEQÜÊNCIAS DESSE CULTIVO DA SENSIBILIDADE EM MINHA CONDUTA

No ambiente familiar vivi e vivo inúmeros momentos em que entro em contato com minha própria sensibilidade, com a sensibilidade dos demais e ainda com a sensibilidade universal.

Após sofrer uma derrota e me esforçar por extrair dela o elemento que me faltou para vencer, escrevi em meu caderno de vivências, de forma profundamente sentida:

"Estou aprendendo a enfrentar as lutas da vida com valor. Saber me levantar de uma queda e prosseguir na luta até alcançar o objetivo almejado. Nunca me deixar abater pelo peso da queda.



A VIDA INTERNA E A DE RELAÇÃO

A VIDA INTERNA E A DE RELAÇÃO



Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas




Desconhecia, por completo, a vida interna, a que se vive com os pensamentos, sentimentos e emoções; somente conhecia a vida por fora.


Essa descoberta foi estupenda, porque se descortinou para mim a possibilidade de mudar, modificar a vida, superar.


A realidade dos pensamentos eu a percebi cedo. Em certa vez, notei que ao ter uma atitude algo se movimentava dentro de mim antes de se concretizar em ação. Antes esses movimentos mentais eu sequer suspeitava que existissem.


Ao tomar contato com ensinamentos que se referiam à reação psicológica de um hábito pude ver claramente a atuação desses agentes mentais me movendo a praticar certo hábito que identificara.


Exemplificando, tinha determinado hábito. Após algumas reflexões pude ver que aquele gesto ou atitude respondia a um hábito contraído na infância e mecanicamente.


Então me dispus a deixar de praticar aquilo. Das primeiras vezes, fiz um esforço grande, logo deixei de fazer o gesto físico, mas mentalmente o fazia e isso me chamou muito a atenção, porque agora tinha que vencer o hábito mentalmente, ou melhor, deixar de fazê-lo na mente. E isso foi mais difícil. Eu não o fazia fisicamente, mas mentalmente, a imagem do gesto acontecia e isso me incomodava muito, até que um dia depois de muitas e muitas tentativas senti que a imagem mental não mais aparecia e assim, finalmente, vencera o hábito. Ele nunca mais ocorreu em meu mundo interno.


Ao destruir esse hábito e outros, como esperar que as coisas aconteçam, sem fazer algo de minha parte, eu pude conhecer nesse trabalho muito do que acontecia em minha vida interna. Passei, pois a identificar características, modalidades, e muitas outras atitudes internas negativas e positivas que tinham origem na vida mental e que se materializavam em atitudes em minha vida física e de relação.


Estava descobrindo o que se passava em minha vida interna. Lembro-me que percebi a atuação dos pensamentos na mente antes que ele se materializasse na conduta. Estava vendo a atuação do pensamento ainda no ambiente mental e isso era uma grande descoberta, em que pese o número pequeno de informações e conhecimentos que estava adquirindo do mundo mental.


Os conhecimentos me estavam permitindo ver uma realidade para mim ignorada e desconhecida. Meu entendimento estava vendo, com a luz projetada do conhecimento, a realidade palpável dos pensamentos atuando no interno. Isso era simplesmente incrível !


Uma nova realidade se descortinava para mim, a realidade da vida interna.


Acabava de distinguir uma vida interna e uma exterior, porque também identificava que o que observava fora era a conseqüência, o resultado, do que ocorria mentalmente. Entendia, afinal, que a mente era a causa de tudo. Tudo acontecia primeiro, mentalmente para depois, acontecer fora, no externo.


Pode-se dizer que minha vida se ampliava, porque não é somente a que vivia em contato com o externo; havia e há também um existir dentro de mim que me impelia a cumprir com os mandatos da evolução.


Estava com a luz dos ensinamentos compreendendo a vida em sua essência, porque via palpitar dentro de mim uma vida até esse instante desconhecida e imperceptível.


Considero esse um requisito indispensável para a evolução individual. Sem conhecer a realidade interna, sem percebê-la, como poderia mudar?


Antes dos estudos minha vida era somente a externa. Ao me vincular conscientemente com a dimensão interna, a realidade da vida deixou de ser única para se tornar dupla. Hoje percebo duas vidas a interna e a externa.


O olhar passou a ver também para dentro e isso me fez sentir que a vida poderia ter outro conteúdo, duradouro e não mais de consistência efêmera e aparente.


Estou aprendendo a conviver com essa realidade interna ao procurar viver para dentro e a cada oportunidade comprovo que ali, somente ali, posso desfrutar da verdadeira intimidade.


O conhecimento vai me conduzindo para penetrar dentro de mim, para alcançar o autoconhecimento e guiado por ele interpreto melhor o que penso e sinto.


Recorri ao meu caderno de vivências para trazer aqui o ali anotado que comprova, a meu juízo, que a vida interna é uma realidade para mim:




Em certa feita ali anotei:


«Internamente estou experimentando algumas mudanças. Outros pensamentos ocupam minha mente, atraídos, talvez, pelas reflexões que ultimamente venho fazendo sobe o meu dia-a-dia.


Os pensamentos ainda preponderam sobre minha vontade, embora saiba que o contrário é o que deveria acontecer, ou melhor, minha vontade predominar sobre a dos pensamentos.


Os pensamentos como entes, ou agentes mentais, deveriam servir a minha vontade.


Eu deveria comandar a atividade deles em minha mente.


Quando planejo alguma atividade que vou desenvolver, percebo que comando os pensamentos que necessito para realizar tal atividade ou plano.


O planejamento é, então, uma forma de se exercer o controle da própria mente.


O que se passa internamente é difícil de se exteriorizar no papel, pois pertence ao foro íntimo e corre-se o perigo de malograr ao ser exposto. É a intimidade. Parte se pode levar ao externo e parte não, pois não se traduz em palavras.


Procuro desenvolver várias atividades ao mesmo tempo. Leio, escrevo, desenvolvo trabalhos, cuido de minhas ocupações profissionais, dedico-me às tarefas e tenho vários objetivos a cumprir. Em umas fracasso, em outras tenho êxito. Sigo em frente. A vida continua».


Isso trouxe como conseqüência o cultivo de novos valores, os valores internos, que passaram a me agradar e me atrair mais que os valores externos.


Em meu caderno de vivências, onde consigno algumas reflexões, extrai dele o seguinte, relacionado com o cultivo desses valores:


«Os valores materiais servem para a vida física e o que deve me interessar é a conquista de valores reais, imateriais.


Cada coisa deve ter o seu real valor. Entretanto, a cultura vigente me leva a valorizar o mais da conta, ou excessivamente, os valores materiais. E luto, denodadamente, para a conquista desses valores, em prejuízo da conquista de valores espirituais, eternos. Não é questão de menosprezar os valores materiais, mas usá-los na medida real por que foram instituídos. Dessa forma, entendo porque não se deve ambicionar riquezas materiais. Essa ambição coloca a pessoa fora de si mesmo, num desvio e o faz se afastar do campo de conquista dos reais valores».


Aos poucos estou dando preferência aos contatos com os sentidos superiores, que determinam outras concepções e formas de proceder, diferentes das experimentadas através dos sentidos da vida física.


Nesse processo a conduta interna se orienta sem vacilações bruscas em busca de um ideal, ideal que se manifesta em transformações que dão vida a uma existência nova.


A realidade do espírito e da vida espiritual está deixando de ser utópica e se apresenta como reais possibilidades do espírito, eterna.


Sinto que hoje desfruto mais de meu foro interno. Consigo recolher em mim. É sagrado e inviolável esse foro, porque pertence exclusivamente aos domínios da consciência.


Hoje posso dizer que convivo com pensamentos gratos, edificantes, elevados, superiores. Acaricio aspirações, projetos, esperanças. E encontro nesse meu mundo que é só meu, o cálido ambiente de recordações, paz e de estímulos que tanto me reconfortam.


Desfruto, ainda que em forma muito superficial, de uma vida de vinculação interna, de relação própria, que pertence única e exclusivamente a mim. Nesse íntimo enlace entre a mente, o coração e a consciência.


Aspiro preservar, agora que sei da existência desse mundo íntimo, de toda contaminação externa e reservar para mim, para minha intimidade, o que me proponho fazer em favor de meu melhoramento.


Como poderia melhorar o meu relacionamento com os que me cercam ou se relacionam comigo se desconhecia por completo a minha realidade interna? Seria possível?


É um resultado do cultivo interno a melhora no relacionamento externo, no lar, no trabalho e em todos os ambientes em que devo viver e atuar.


Nessas relações externas recolho muitos elementos, graças ao cultivo da observação consciente, que me ajudam a me conhecer mais e melhor.


No trato com um filho, exemplificando, aprendi a ver que não era tão paciente assim. A impaciência e a tolerância pulavam inesperadamente e me surpreendia tendo atitudes que imaginava jamais ocorreriam comigo.


E assim, em muitas circunstâncias, nesse convívio externo, aprendia e aprendo sobre a minha própria psicologia e o que havia e há dentro de mim, de bom e de ruim.


Recorri mais uma vez ao meu caderno de vivências para ver se ali encontrava alguma coisa registrada, pertinente ao tema tratado e achei o seguinte relato:


«A observação de minhas atitudes e conduta com relação a meus filhos me revela o ser que sou.


Quando me sinto incomodado é porque uma parte de mim foi tocada e me mostra como sou. Um ser ainda tosco, com muitas coisas a modificar para melhor.


Quantos pensamentos horríveis saltam à mente quando desse contato e convívio com os semelhantes!


Assim, vou me conhecendo, sabendo quem sou. Um ser que tem muito a avançar no caminho do aperfeiçoamento.


A predominância do bom humor, tão importante para romper os obstáculos que a vida nos apresenta, cede lugar à irritação nessa convivência com os demais que estão próximos, mostrando que dentro ainda existem pensamentos inferiores que devem dar lugar aos nobres e elevados.


O desprendimento é possível de ser cultivado junto aos familiares. A resistência experimentada ao emprestar algo que me pertence, a um ser que dele necessita não mais me incomoda como a uns anos atrás. Isto significa que outra classe de pensamentos existe em minha mente, contrária à que antes predominava nela.


O resultado dessa nova conduta traz uma alegria íntima indecifrável. Já experimento o gradativo desapego dos valores materiais que tanto subjugam e escravizam.


O estudo de minha própria psicologia, partindo da observação que faço de meu comportamento e conduta, em relação aos entes queridos principalmente, e aos demais, me está permitindo descobrir facetas de meu ser que ainda não se haviam revelado e a pensamentos e sentimentos que julgava não ter».


Conseguiria perceber essa realidade interna de minha psicologia, esses movimentos mentais, essas reações psicológicas voluntárias e involuntárias, interferindo na vida de relação, sem o auxílio e a orientação da luz do conhecimento?