sexta-feira, agosto 26, 2011

DUAS CRÔNICAS


Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas*

O Dr. Alfredo passou um dia bastante atarefado e estava exausto ao final do dia. Não via a hora de ir para o aconchego de seu lar, onde lhe esperavam sua amada esposa e querida filha de aproximadamente quatro aninhos.

Enfrentando um trânsito caótico finalmente abria o portão da garage de sua residência, chegando de mais uma jornada de trabalho.

Abriu a porta da sala e se deparou com sua mulher resmungando e muito nervosa.

- Você tem que conversar com a sua filha Isabella, ela está impossível, não a aguento mais!

- O que foi que aconteceu? Expressou o pai, jogando o seu paletó no sofá no canto da sala.

- Sabe aquela rosa que estava linda naquela roseira, no jardim, ela a arrancou.

- A Isabella?

- Sim.

- Como você sabe que foi ela? Não teria caído?

- Não. Não poderia ser outra pessoa. Não havia ninguém aqui, a não ser nós duas.

- Isabella, gritou o pai, indo para o quarto da criança.

Chegando lá, a menina brincava com suas coisas e ao ver o pai, correu em direção ao seu armário e dali tirou uma linda rosa vermelha e alegre e saltitante foi em direção ao pai, dizendo:

- Veja o que colhi para você!

O pai, assustado e desconsertado ficou imóvel no meio do quarto e a menina rindo:

- Tome papai, é para você. Veja que linda flor!

O pai agachou-se, pegou a rosa que a filha lhe estendia e abraçando-a, agradeceu o presente.

Uma lágrima rolou na face do pai. A filha arrancara a rosa de seu talo, na roseira, para oferecê-la ao seu querido papai.

A mãe vendo aquela cena, também se emocionou.

O pai disse à filha que seu gesto era muito lindo, porque expressava um nobre sentimento de gratidão. Mas acrescentou com o intuito de transmitir a ela outro elemento útil a sua formação como pessoa, também, que aquela flor ficaria muito viçosa se continuasse no seu talo, junto à planta.

Por fim o pai, analisando essa vivência ao lado de sua mulher e longe da filha, expressou que felizmente não externou o pensamento de impulsividade quando recebeu a notícia de que a rosa fora arrancada da roseira, porque se tivesse agido precipitadamente poderia ter maculado aquele instante tão sublime, em que a filha, inocentemente, praticara aquele ato, movida por um sentimento nobre de amor ao pai.

***




Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas*

Indo para casa, de ônibus, após um dia de trabalho vi uma passageira sentada à minha frente ao celular.

Falava, falava, ouvia, falava. Mais falava que ouvia. Todos na condução ouvíamos, porque o tom de voz era audível até ao final do veículo.

A conversa era variada. Saia de um assunto para outro e quem ouvia imaginava o outro lado do diálogo.

Não havia o cuidado da passageira em medir ou selecionar as palavras pronunciadas. Muitas não poderia reproduzi-las aqui. Por vezes, a indiscrição tomava conta do palavreado.

Lá pelas tantas, no trajeto da viagem, ouvi tanta coisa daquela conversa ao telefone que tive a impressão de que já conhecia a intimidade da pessoa. Falou de seu relacionamento amoroso, entrando, por vezes, em detalhes que devassavam a vida privada da jovem. Fiquei sabendo de coisas que não precisaria ter tomado conhecimento. Em determinados momentos ficava até “sem graça” de estar ouvindo coisas da vida privada que estavam ali naquela conversa, sendo expostas sem qualquer constrangimento ou escrúpulo.

Os demais passageiros do “buzão” estavam atentos àquela conversa telefônica que atraia a atenção de todos, por ser tão desprendida e totalmente livre de censura e no comentário de alguns, “despudorada”.

Um esboçava ou sorriso amarelo, outros viravam o rosto demonstrando desagrado e a maioria permanecia totalmente voltada para o “diálogo” inusitado, porque se ouvia apenas um interlocutor e o outro, imaginava-se o que dizia ou expressava.

Quem descia do ônibus o fazia com certo desconforto, porque em realidade queria continuar se deliciando com a audição propiciada pelo pequeno aparelho. Havia os que apeavam com pena de ter que descer naquele momento tão interessante da conversa.

Finalmente foi a minha vez de descer. Dei o sinal. Fiquei pesaroso de ficar impedido de continuar ouvindo aquele diálogo e ao sair do veículo e tomar o meu destino fiquei a pensar na facilidade que temos de expor e colocar para fora, sem qualquer pudor, as coisas que nos são tão íntimas e expô-las para que qualquer um as ouça ou veja, devassando ou, no pior dos casos, nos virando do avesso, dando-nos a sensação de vazio e fragilidade. Senti, nessa vivência, a discrição como um valor a cultivar nessa vida, em que vivemos mais para fora que para dentro de nós mesmos.

***
*Advogado tributarista. Autor de vários livros publicados no CLUBE DE AUTORES.

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sábado, dezembro 26, 2009

A INICIAÇÃO NA MAIS ALTA DAS CIÊNCIAS

A INICIAÇÃO NA MAIS ALTA DAS CIÊNCIAS



Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas


Há algum tempo o Senhor De Sándara é o meu livro de cabeceira.

Desde a juventude tomei contato com ele.
 Nessa época lia também os livros de aventuras da chamada literatura infanto-juvenil como: O Máscara de Ferro, Robinson Crusoé, a Ilha do Tesouro, O Conde de Monte Cristo e Dom Quixote.


Nesses livros alimentava a minha imaginação e me via vencendo obstáculos e conquistando a princesa de meus sonhos juvenis.


Na leitura do Senhor De Sándara encontrava estímulos que despertavam em mim o ideal de ser melhor, de fazer o bem, de ser útil à humanidade.


Algumas imagens do livro tiveram forte influência em minha vida nessa época de jovem.


A referência à experiência matrimonial me incentivava a seguir os exemplos de Cláudio e Griselda e a buscar a Bela Acordada e a fugir da imagem inculcada em minha infância, do príncipe encantado.


Imaginava e sonhava guiar a minha experiência matrimonial com os elementos contidos no Senhor De Sándara.


Os personagens me fascinavam. Identificava-me em algumas situações com uns.


Em outros momentos um personagem se assemelhava a um pensamento que tinha em minha mente.


Esse livro me fez enxergar o meu mundo interno, povoado de pensamentos.


As situações vividas por Cláudio em muitas delas eu me via. Ele lá na frente superava aquele estado e eu em minha insipiência continuava, mas sentia a sensação real de que também poderia mudar de estado.


Em quantos momentos de minha trajetória eu me senti débil, sem forças para continuar nesse esforço de superação e encontrava na tenacidade, no empenho constante de Cláudio em romper com as suas debilidades e me via recobrando as forças e querendo continuar lutando!


Compreendi muitas coisas que me inquietavam e me faziam sofrer. Ao tomar contato com trechos do livro que me descreviam o grau de egoísmo a animar o mendigo que nada fazia para romper com seu estado de coisas, uma inércia e acomodação e vendo o exemplo daquele que queria deixar de mendigar...


Poderia enumerar muitos pontos do romance que me calaram fundo.

1) AS COISAS NEM SEMPRE SAEM COMO SE QUER
Quem não se recorda daquele que fala que as coisas nem sempre saem como se quer.


2) JAMAIS OCULTAR-SE DOS SEMELHANTES
O outro que nos ensina a jamais se ocultar dos semelhantes.


3) O HOMEM DEVE CONHECER TUDO
O que exorta o homem a conhecer tudo para não ser surpreendido pela argúcia.


4) ÍMPETOS JUVENIS


O que diz dos ímpetos juvenis.


5) OS EXTREMOS EXCEDEM AS MEDIDAS


E a afirmação de que os extremos sempre excedem as medidas.


6) A LINGUAGEM DA SENSIBILIDADE SE ARTICULA NA ALMA


E sobre a linguagem da sensibilidade, afirmando que ela se articula na alma.


7) A VIRTUDE DO INESPERADO


E aquele trecho da virtude do inesperado que altera temporária ou definitivamente o ritmo monótono da vida.


8) AFASTAR O RETRAIMENTO COM DISCRIÇÃO


E o do retraimento que deve ser afastado com discrição.




9) A SENSIBILIDADE CHAMA O AMOR POR SEU NOME

Quem não se lembra daquele que diz que a sensibilidade chama o amor por seu nome e em nada o abandona.

10) A SENSIBILIDADE EXIGE CORRESPONDÊNCIA

 
Ainda sobre a sensibilidade, a de que ela exige uma total correspondência.


11) A INSENSATEZ CRIA PROBLEMAS


O de que a insensatez cria problemas.


12) A LIBERDADE DÁ CONTEÚDO À VIDA
Sem falarmos da liberdade. Ela dá conteúdo à vida e é fruto de uma conquista.

Quantos conceitos são lembrados no romance!

 
13) O CULTIVO DA AMIZADE ENCERRA GRANDEZA
O cultivo da amizade que encerra uma grandeza.


14) O TRIUNFO DO AFETO
O triunfo do afeto sobre a formalidade e rigidez dos preconceitos.


15) O CORAÇÃO AMANTE
Que o coração amante não pode conter a pontualidade do amado.

16) AS AUSÊNCIAS
Sobre as ausências que a vida impõe.


17) OS DITADOS DO CORAÇÃO
E os ditados do coração favorecendo os bons propósitos.


18) O AMOR CONCILIA
O de que o amor concilia quando é amplo o entendimento.


19) A DOENÇA DO VAZIO
O da “doença do vazio”, misto de melancolia e abandono.


São tantas pérolas !


20) A VIDA NÃO DEVE CORRER PELOS CAMINHOS ENCORREGADIOS
O de que a vida não deve correr pelos caminhos escorregadios da inconsciência.


21) PREPARAR OS DIAS FUTUROS
O segredo de preparar os dias futuros com antecipação.


22) A IDADE COM O TEMPO...
O de que a idade com o tempo nos torna mais lentos e a mente já não responde com presteza e nem lucidez.


23) QUANDO JOVENS CONSEGUIMOS EXPLICAR...
A afirmação de que quando jovens conseguimos explicar tudo o que nos intrigou em crianças.


24) O EFÊMERO NÃO PODE PREJUDICAR O PERMANENTE
O de que o efêmero não poderá prejudicar o permanente.


25) É PRIVILÉGIO NASCER DUAS VEZES
O de que é privilégio nascer duas vezes. A primeira, segue as leis biológicas, a segunda, a espiritual.


26) O ESPÍRITO QUER ASSUMIR A CONDUÇÃO DA VIDA
A afirmação de que o espírito quer assumir a condução de nossa vida.


27) É UM CONVIDADO DE PEDRA
Ele é um convidado de pedra.


28) NÃO PEDE RECREAÇÃO
Ele não pede recreação.


29) DEVE DESEMPENHAR UM PAPEL PRINCIPAL
Ele deve desempenhar um papel principal na existência.


30) AS IDEIAS FORMAM FAMÍLIAS
A interessante revelação de que as idéias formam famílias.


31) O VERDADEIRO CAMINHO SE ENCONTRA DEPOIS DE MUITO ANDAR
A de que o verdadeiro caminho é encontrado depois de muito andar.


32) PROVAR O QUE CREMOS BOM
Devemos provar o que cremos bom.


33) O SOFRIMENTO TEM ORIGEM NA IGNORÂNCIA
A afirmação de que o sofrimento tem origem na ignorância.


34) O QUE SABE TAMBÉM SOFRE
E o que sabe também sofre em obediência a outras causas.


35) A ESPERA É UM PARÊNTESE
A de que a espera é um parêntese que se abre em nossa vida e quem não o utiliza corre o risco de perder a paciência.


36) RESULTADO DO PRÓPRIO ESFORÇO
Cada um é o resultado de seu esforço.

37) A HERANÇA É CUSTODIADA PELO ESPÍRITO
Que a herança é custodiada pelo espírito.


38) HÁ ILUSÕES SUBLIMES
Há ilusões sublimes fruto da inspiração racional e essas são alcançáveis.


39) DENTRO DE NÓS HÁ RECURSOS
Que dentro de nós há recursos que nos ajudam a ser feliz de verdade.


40) A MULHER DEVE CONQUISTAR O HOMEM DUAS VEZES
Que a mulher deve conquistar o homem que ama duas vezes. A primeira, com seu físico e a segunda, com o seu espírito.


41) QUANDO A VIDA NOS SORRI...
Que devemos corresponder a seu gesto, quando a vida nos sorri, mostrando-nos alegres.


42) FALTA ARTE CAPAZ DE MODELAR...
Que falta uma arte capaz de modelar o pensamento e o sentir dos homens.


43) AS VERSÕES SOBRE AS PESSOAS...
Que as versões sobre as pessoas nem sempre coincidirão com a realidade.


44) A MULHER DEMORA MAIS TEMPO...
A mulher demora mais tempo em aprovar o seu penteado do que em se vestir.


45) A SOBREVIVÊNCIA DA ALMA
A única sobrevivência da alma é renascer em si após a superação do velho ser.


46) PRESERVAR OS ANELOS
Os anelos devem ser preservados e não expostos.


47) VIRTUDE DO CONHECIMENTO
É virtude do conhecimento converter os anelos em realidade.


48) LABIRINTO
O labirinto o constitui os caminhos ilusórios.


49) O MUNDO PARADISÍACO
O mundo paradisíaco está reservado aos forte de espírito.


50) QUERER TODOS OS DIAS
Querer todos os dias com a mesma intensidade.


51) A EXPERIÊNCIA NOS TORNA SÁBIOS E PRUDENTES
A experiência nos torna sábios e prudentes, quando não recusamos seu conselho.


52) GRAU DE PROBIDADE DE QUEM JULGA
Devemos descobrir o grau de probidade de quem julga.


53) OS VERDADEIROS AMIGOS
Os verdadeiros amigos são os que penetram a fundo em nosso coração.


54) O ESSENCIAL...
O essencial é saber o que queremos ser e fazer.


55) O QUE ESTÁ CONTIDO NA NATUREZA FEMININA
Na natureza feminina está contida grande parte dos mistérios que o homem deverá descobrir.


56) O AMOR DE DEUS
O amor de Deus é o que anima a Criação.


57) A ALMA DA MULHER É DÓCIL ÀS MUDANÇAS
A alma da mulher é dócil às mudanças impostas pela evolução.


O homem unido a uma mulher pode fazer mais.


58) A CULTURA NÃO CONSEGUIU...
A cultura não conseguiu formar no homem a consciência de um destino superior.


59) A HUMANIDADE SEGUE POR CAMINHOS INCERTOS
A humanidade segue ainda por caminhos incertos.

60) AS EXPERIÊNCIAS INSTRUEM
As experiências instruem.


61) A SOLUÇÃO DOS CONFLITOS INTERNOS
A solução dos conflitos internos e dos problemas íntimos concernem a cada um resolver.


62) REAÇÕES PSICOLÓGICAS PROVOCADAS PELA VAIDADE
Há reações psicológicas que são provocadas pelo encrespamento da vaidade.


63) A ERUDIÇÃO
A erudição leva a predicar sem realização pessoal.


64) A OBSERVAÇÃO DIRIGIDA PELA CONSCIÊNCIA
A observação dirigida pela consciência converte-se em dona e senhora de nosso mundo interno.


65) A FIDELIDADE
A fidelidade é sustento inapreciável do sentir.


66) O AMOR PERDURA QUANDO SE CONVERTE EM AFETO
O amor somente perdura quando se converte em afeto.


67) A EXISTÊNCIA DE DEUS SE PROVA...
A existência de Deus se prova pela existência de tudo o que nos rodeia.

68) O ESPÍRITO EVOLUI NA CONSCIÊNCIA
O espírito evolui na consciência.

69) PALINGENESIA
Renascer em outra vida no período de existência aqui na terra é possível.


70) O ELO PERDIDO É O ESPÍRITO. SUA MISSÃO...
O elo perdido é o espírito. Sua missão é a de enlaçar o homem com o seu Criador.


71) À CRISÁLIDA HUMANA INTERESSA A BORBOLETA
À crisálida humana deve interessar a borboleta não a larva.


72) O QUE É FUNDAMENTAL
É fundamental a descoberta do destino e não nossa origem.


73) A CRIANÇA É ATRAÍDA PELO MUNDO DO ESPÍRITO
Toda criança na infância é atraída pelo mundo do espírito.


74) OURO MATERIAL
O bem que fazemos é ouro imaterial a ser poupado no Banco Universal.


75) FORJAR UM DESTINO MELHOR
Forjar um destino melhor.


Trabalho inspirado no livro: O Senhor De Sándara, romance de autoria de Carlos Bernardo González Pecotche.



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SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA MENTAL

SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA MENTAL


Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

O que conheço do meu sistema mental?

Sei que possuo duas mentes ainda para mim desconhecidas, em sua maior parte.

A mente é um espaço onde se encontram as faculdades e os pensamentos.

Como tenho usado minha mente? Uso com muita frequência a mente inferior, porque ocupo mais o meu tempo tratando das coisas de minha subsistência.

O espaço mental dedicado às coisas do espírito é bem pequeno.

A absorção pelos assuntos materiais é bem grande, quase que não há espaço mental para os assuntos de ordem transcendente.

Onde está a falha?

Há falta de interesse para os temas pertinentes ao espírito?

Os pensamentos que gravitam nessa mente e que mais transitam nela são de ordem física, encarregados da solução dos problemas de natureza material tão somente.

Por que não há um espaço mental maior para o trato espiritual? Quais as causas desse descaso? Desconhecimento? Falta de interesse? Pouco adestramento no trato com os temas superiores?

Quais os pensamentos que estão em minha mente e se dedicam às coisas de ordem espiritual? São, naturalmente, os pensamentos colhidos dos estudos de ensinamentos de ordem superior. Mas são pensamentos tão pequenos e que necessitam de um cuidado todo especial que, às vezes, ou muitas vezes, durante o dia, pouco atuam no cenário mental e quase nenhuma influência têm em minha conduta diária. Por que? O que está faltando para que eles sejam mais ativos e tenham uma participação mais efetiva nesse recinto de minha mente?

O que sei de minha mente?

Sei que há nela pensamentos de longa data, de diversa índole, alheios ao ideal de superação, comuns, que atendem, como disse, a preocupações de ordem comum, material. O que deve me interessar são os pensamentos de outra índole, afeitos às tarefas do aperfeiçoamento. Dar cabida na mente a pensamentos elevados é a solução.

Mas não basta ter pensamentos elevados na mente é preciso que eles tenham uma atividade dentro dela. Eu me pergunto, então, quais os pensamentos superiores que estão em minha mente e que atividades desenvolvem? Ou estão ali impedidos de atuarem porque o espaço mental é pequeno ou quase nenhum para eles? Qual é a sensação que tenho? Como sair desse estado? Como conquistar mais espaço mental para os pensamentos de natureza superior?

Quantos pensamentos próprios tenho na mente?

São todos alheios?

E as faculdades mentais? Como estão as minhas?

Tenho feito observações consciente? Que uso tenho feito de minhas observações?

E a faculdade de pensar, como a tenho usado?

Estou realmente pensando?

E a de refletir? E a de raciocinar?

Quando estou diante de um problema, uso minhas faculdades mentais para solucioná-lo? Ou me valho de pensamentos alheios?

Qual a solução que tenho dado a minha vida?

Qual é a solução melhor ou feliz para a vida?

Penso que a solução para a vida é a busca do eterno, através do conhecimento transcendente. Eternizar a vida é a solução. Ir em busca das causas permanentes. Romper com o circunstancial, com o efêmero, com o passageiro. Construir no eterno. Pensar no eterno. Elevar a vida. Como?

Sinto que devo me ilustrar muito com o conhecimento que derramará luzes no recinto mental que ainda se encontra na penumbra. A minha consciência não a ilumina satisfatoriamente. Devo me valer de uma consciência superior para iluminar a minha mente.

O mundo interno é ainda um grande desconhecido para mim. Conheço muito pouco ou quase nada desse mundo íntimo, tenho referências maravilhosas dele fornecidas pelo conhecimento, mas ainda não o conheço com meu entendimento. Ainda falta disposição para penetrar mais profundamente nesse mundo interno que me descobre o ensinamento dessa natureza.

Não sou dono, posso dizer de meu mundo interno. Dele nada conheço.

O que sou? Quem fui? E o que serei? O que estou sendo? Quero ser o quê?

Para onde vou? Onde estive? Para onde estou caminhando? Onde quero chegar?

 
Qual o meu ideal? E o meu arquétipo? O que já concretizei dele? Está muito distante de mim?

 
O que quero da vida? E o que ela quer de mim?

 
Por que estou nesta Terra? E quanto tempo ficarei por aqui?

 
Qual a minha missão?


O que devo fazer pela vida?


Por que sou o que sou?

 
Onde está a criança que fui? O que dela resta dentro de mim?


Que consciência tenho da vida? Da vida que vivi, da que estou vivendo e da que viverei no futuro?


O que tem tudo isso a ver com a mente?


É na mente onde está a origem de tudo?


Sim, é nela que encontrarei a resposta a todas essas inquietudes. Se ela é, pois, a causa primeira, nela encontrarei as soluções e as respostas. Por isso, devo conhecê-la a fundo.


O que existe dentro de minha mente? Só com o conhecimento poderei ver melhor com os olhos do entendimento.


Em minha mente se encontram os pensamentos. Quais?


Dependendo das circunstâncias da vida, alguns pensamentos gravitam nela com mais intensidade.


Na convivência, alguns predominam e se refletem na conduta. Quais?


Na convivência com familiares, alguns estão presentes. Na convivência com outros seres humanos, os pensamentos não são os mesmos. Por que? O que está por traz disso? O que está ocorrendo em minha mente?


Estou aprendendo que em toda convivência, seja ela com familiares ou outros seres, posso conhecer-me mais. Conhecer os pensamentos que atuam. Conhecer os pensamentos que ditam a conduta a ser adotada.


Refletindo e estudando sobre a propensão ao isolamento conclui-se que o isolamento não é benéfico para aquele que se dispõe a aperfeiçoar as suas condições internas.


Na convivência, ou melhor, nessa convivência com os familiares coloco à prova os recursos internos com que conto e, também, deixo de manifesto os pensamentos que predominam em minha mente.


Nessa convivência, as faculdades mentais funcionam e os pensamentos se movimentam no recinto mental, pois são provocados e até convidados a atuar.


Na convivência no ambiente familiar, próximo ao meu interno, íntimo, alguns pensamentos que vivem em minha mente atuam e se desenvolvem dentro da mente, cumprindo um objetivo de atender as atividades que ali sou levado a exercer.


Na convivência na família, outros pensamentos tomam a frente e se expressam na conduta.


De fato, nas várias convivências é que encontramos o incentivo para não mantermos inertes as faculdades da mente e os pensamentos que nela vivem.


Na convivência combato o egoismo, cultivo a sociabilidade e cumpro com uma lei natural de sobrevivência.


Quais os pensamentos que convidam ao isolamento? Os de ceticismo e os de indiferença.


Qual a causa da propensão ao isolamento?


É na convivência que se pode avançar no aprimoramento de nossas características e alcançarmos o aspirado conhecimento de si próprio. Enfim, quem quer se conhecer melhor e de forma real e efetiva não deixe de conviver nos vários ambientes que nos é dado fazê-lo, com os demais.















sexta-feira, dezembro 25, 2009

A SENSIBILIDADE UNIVERSAL

A SENSIBILIDADE UNIVERSAL


Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas

Desse estudo pude observar que ao cultivar a sensibilidade eu vou descobrindo que a vida passa a ter outro colorido, instantaneamente compreendo quando minha conduta é boa ou quando não me porto muito bem, ou mal. A sensação interna de aprovação ou reprovação é experimentada sem que a minha razão interfira.

E desse cultivo eu posso estabelecer contato com outras sensibilidades e ainda com a sensibilidade universal.

O segredo está, então, em cultivar a sensibilidade.

Como cultivá-la se nem sequer sabia chorar com o sentimento? Digo não sabia porque hoje minha conduta mudou muito, ao me recordar de que em muitos momentos verti lágrimas que manifestavam gratidão a um ser querido, a um instante vivido, a um bem recebido.

O contato com a sensibilidade universal se pode dar através do sofrimento. Entretanto o grande é encontrar esse contato, justamente, nos momentos de felicidade e não de sofrimento.

É, portanto, mais difícil estabelecer esse contato com a sensibilidade universal nesses estados de alegria, de prazer, porque nesses instantes estamos adormecidos.

E uma deficiência que nos impede de estabelecermos o contato com a sensibilidade universal, quando estamos alegres é o esquecimento.

Quando sofremos queremos que todo o mundo pense em nós.

Observo que percebo muitas manifestações da sensibilidade universal e que têm conseqüências práticas em minha conduta de ser humano.

Quais são essas conseqüências?

Recordar de Deus nos momentos de alegria e de júbilo é uma conduta que vou adotando à medida em que cultivo minha sensibilidade.

Em certa ocasião fui ao campo, em uma região muito bonita, em que a natureza se mostrava exuberante e ao ver a vaca alimentando sua cria experimentei uma sublime sensação indescritível em palavras. Não estaria aí a manifestação da sensibilidade universal?

Há imagens que refletem essa sensibilidade universal. A imagem do sol que esta generosamente iluminando a terra. A imagem de que a alma é uma partícula de Deus. A de que devemos ser como os rios que renovam constantemente suas águas. A de que as montanhas existem para nos dizer que nem tudo e baixo neste mundo, que há alturas que podemos escalar. A de que há plantas que crescem e que, por sua vez, dão sombras para aquelas que lhe abrigaram quando era tenra. A de que na natureza nada dá saltos. A planta humana que pode dar frutos constantemente. Ver no bem que faz o semelhante a presença de Deus.

CONSEQÜÊNCIAS DESSE CULTIVO DA SENSIBILIDADE EM MINHA CONDUTA

No ambiente familiar vivi e vivo inúmeros momentos em que entro em contato com minha própria sensibilidade, com a sensibilidade dos demais e ainda com a sensibilidade universal.

Após sofrer uma derrota e me esforçar por extrair dela o elemento que me faltou para vencer, escrevi em meu caderno de vivências, de forma profundamente sentida:

"Estou aprendendo a enfrentar as lutas da vida com valor. Saber me levantar de uma queda e prosseguir na luta até alcançar o objetivo almejado. Nunca me deixar abater pelo peso da queda.



A VIDA INTERNA E A DE RELAÇÃO

A VIDA INTERNA E A DE RELAÇÃO



Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas




Desconhecia, por completo, a vida interna, a que se vive com os pensamentos, sentimentos e emoções; somente conhecia a vida por fora.


Essa descoberta foi estupenda, porque se descortinou para mim a possibilidade de mudar, modificar a vida, superar.


A realidade dos pensamentos eu a percebi cedo. Em certa vez, notei que ao ter uma atitude algo se movimentava dentro de mim antes de se concretizar em ação. Antes esses movimentos mentais eu sequer suspeitava que existissem.


Ao tomar contato com ensinamentos que se referiam à reação psicológica de um hábito pude ver claramente a atuação desses agentes mentais me movendo a praticar certo hábito que identificara.


Exemplificando, tinha determinado hábito. Após algumas reflexões pude ver que aquele gesto ou atitude respondia a um hábito contraído na infância e mecanicamente.


Então me dispus a deixar de praticar aquilo. Das primeiras vezes, fiz um esforço grande, logo deixei de fazer o gesto físico, mas mentalmente o fazia e isso me chamou muito a atenção, porque agora tinha que vencer o hábito mentalmente, ou melhor, deixar de fazê-lo na mente. E isso foi mais difícil. Eu não o fazia fisicamente, mas mentalmente, a imagem do gesto acontecia e isso me incomodava muito, até que um dia depois de muitas e muitas tentativas senti que a imagem mental não mais aparecia e assim, finalmente, vencera o hábito. Ele nunca mais ocorreu em meu mundo interno.


Ao destruir esse hábito e outros, como esperar que as coisas aconteçam, sem fazer algo de minha parte, eu pude conhecer nesse trabalho muito do que acontecia em minha vida interna. Passei, pois a identificar características, modalidades, e muitas outras atitudes internas negativas e positivas que tinham origem na vida mental e que se materializavam em atitudes em minha vida física e de relação.


Estava descobrindo o que se passava em minha vida interna. Lembro-me que percebi a atuação dos pensamentos na mente antes que ele se materializasse na conduta. Estava vendo a atuação do pensamento ainda no ambiente mental e isso era uma grande descoberta, em que pese o número pequeno de informações e conhecimentos que estava adquirindo do mundo mental.


Os conhecimentos me estavam permitindo ver uma realidade para mim ignorada e desconhecida. Meu entendimento estava vendo, com a luz projetada do conhecimento, a realidade palpável dos pensamentos atuando no interno. Isso era simplesmente incrível !


Uma nova realidade se descortinava para mim, a realidade da vida interna.


Acabava de distinguir uma vida interna e uma exterior, porque também identificava que o que observava fora era a conseqüência, o resultado, do que ocorria mentalmente. Entendia, afinal, que a mente era a causa de tudo. Tudo acontecia primeiro, mentalmente para depois, acontecer fora, no externo.


Pode-se dizer que minha vida se ampliava, porque não é somente a que vivia em contato com o externo; havia e há também um existir dentro de mim que me impelia a cumprir com os mandatos da evolução.


Estava com a luz dos ensinamentos compreendendo a vida em sua essência, porque via palpitar dentro de mim uma vida até esse instante desconhecida e imperceptível.


Considero esse um requisito indispensável para a evolução individual. Sem conhecer a realidade interna, sem percebê-la, como poderia mudar?


Antes dos estudos minha vida era somente a externa. Ao me vincular conscientemente com a dimensão interna, a realidade da vida deixou de ser única para se tornar dupla. Hoje percebo duas vidas a interna e a externa.


O olhar passou a ver também para dentro e isso me fez sentir que a vida poderia ter outro conteúdo, duradouro e não mais de consistência efêmera e aparente.


Estou aprendendo a conviver com essa realidade interna ao procurar viver para dentro e a cada oportunidade comprovo que ali, somente ali, posso desfrutar da verdadeira intimidade.


O conhecimento vai me conduzindo para penetrar dentro de mim, para alcançar o autoconhecimento e guiado por ele interpreto melhor o que penso e sinto.


Recorri ao meu caderno de vivências para trazer aqui o ali anotado que comprova, a meu juízo, que a vida interna é uma realidade para mim:




Em certa feita ali anotei:


«Internamente estou experimentando algumas mudanças. Outros pensamentos ocupam minha mente, atraídos, talvez, pelas reflexões que ultimamente venho fazendo sobe o meu dia-a-dia.


Os pensamentos ainda preponderam sobre minha vontade, embora saiba que o contrário é o que deveria acontecer, ou melhor, minha vontade predominar sobre a dos pensamentos.


Os pensamentos como entes, ou agentes mentais, deveriam servir a minha vontade.


Eu deveria comandar a atividade deles em minha mente.


Quando planejo alguma atividade que vou desenvolver, percebo que comando os pensamentos que necessito para realizar tal atividade ou plano.


O planejamento é, então, uma forma de se exercer o controle da própria mente.


O que se passa internamente é difícil de se exteriorizar no papel, pois pertence ao foro íntimo e corre-se o perigo de malograr ao ser exposto. É a intimidade. Parte se pode levar ao externo e parte não, pois não se traduz em palavras.


Procuro desenvolver várias atividades ao mesmo tempo. Leio, escrevo, desenvolvo trabalhos, cuido de minhas ocupações profissionais, dedico-me às tarefas e tenho vários objetivos a cumprir. Em umas fracasso, em outras tenho êxito. Sigo em frente. A vida continua».


Isso trouxe como conseqüência o cultivo de novos valores, os valores internos, que passaram a me agradar e me atrair mais que os valores externos.


Em meu caderno de vivências, onde consigno algumas reflexões, extrai dele o seguinte, relacionado com o cultivo desses valores:


«Os valores materiais servem para a vida física e o que deve me interessar é a conquista de valores reais, imateriais.


Cada coisa deve ter o seu real valor. Entretanto, a cultura vigente me leva a valorizar o mais da conta, ou excessivamente, os valores materiais. E luto, denodadamente, para a conquista desses valores, em prejuízo da conquista de valores espirituais, eternos. Não é questão de menosprezar os valores materiais, mas usá-los na medida real por que foram instituídos. Dessa forma, entendo porque não se deve ambicionar riquezas materiais. Essa ambição coloca a pessoa fora de si mesmo, num desvio e o faz se afastar do campo de conquista dos reais valores».


Aos poucos estou dando preferência aos contatos com os sentidos superiores, que determinam outras concepções e formas de proceder, diferentes das experimentadas através dos sentidos da vida física.


Nesse processo a conduta interna se orienta sem vacilações bruscas em busca de um ideal, ideal que se manifesta em transformações que dão vida a uma existência nova.


A realidade do espírito e da vida espiritual está deixando de ser utópica e se apresenta como reais possibilidades do espírito, eterna.


Sinto que hoje desfruto mais de meu foro interno. Consigo recolher em mim. É sagrado e inviolável esse foro, porque pertence exclusivamente aos domínios da consciência.


Hoje posso dizer que convivo com pensamentos gratos, edificantes, elevados, superiores. Acaricio aspirações, projetos, esperanças. E encontro nesse meu mundo que é só meu, o cálido ambiente de recordações, paz e de estímulos que tanto me reconfortam.


Desfruto, ainda que em forma muito superficial, de uma vida de vinculação interna, de relação própria, que pertence única e exclusivamente a mim. Nesse íntimo enlace entre a mente, o coração e a consciência.


Aspiro preservar, agora que sei da existência desse mundo íntimo, de toda contaminação externa e reservar para mim, para minha intimidade, o que me proponho fazer em favor de meu melhoramento.


Como poderia melhorar o meu relacionamento com os que me cercam ou se relacionam comigo se desconhecia por completo a minha realidade interna? Seria possível?


É um resultado do cultivo interno a melhora no relacionamento externo, no lar, no trabalho e em todos os ambientes em que devo viver e atuar.


Nessas relações externas recolho muitos elementos, graças ao cultivo da observação consciente, que me ajudam a me conhecer mais e melhor.


No trato com um filho, exemplificando, aprendi a ver que não era tão paciente assim. A impaciência e a tolerância pulavam inesperadamente e me surpreendia tendo atitudes que imaginava jamais ocorreriam comigo.


E assim, em muitas circunstâncias, nesse convívio externo, aprendia e aprendo sobre a minha própria psicologia e o que havia e há dentro de mim, de bom e de ruim.


Recorri mais uma vez ao meu caderno de vivências para ver se ali encontrava alguma coisa registrada, pertinente ao tema tratado e achei o seguinte relato:


«A observação de minhas atitudes e conduta com relação a meus filhos me revela o ser que sou.


Quando me sinto incomodado é porque uma parte de mim foi tocada e me mostra como sou. Um ser ainda tosco, com muitas coisas a modificar para melhor.


Quantos pensamentos horríveis saltam à mente quando desse contato e convívio com os semelhantes!


Assim, vou me conhecendo, sabendo quem sou. Um ser que tem muito a avançar no caminho do aperfeiçoamento.


A predominância do bom humor, tão importante para romper os obstáculos que a vida nos apresenta, cede lugar à irritação nessa convivência com os demais que estão próximos, mostrando que dentro ainda existem pensamentos inferiores que devem dar lugar aos nobres e elevados.


O desprendimento é possível de ser cultivado junto aos familiares. A resistência experimentada ao emprestar algo que me pertence, a um ser que dele necessita não mais me incomoda como a uns anos atrás. Isto significa que outra classe de pensamentos existe em minha mente, contrária à que antes predominava nela.


O resultado dessa nova conduta traz uma alegria íntima indecifrável. Já experimento o gradativo desapego dos valores materiais que tanto subjugam e escravizam.


O estudo de minha própria psicologia, partindo da observação que faço de meu comportamento e conduta, em relação aos entes queridos principalmente, e aos demais, me está permitindo descobrir facetas de meu ser que ainda não se haviam revelado e a pensamentos e sentimentos que julgava não ter».


Conseguiria perceber essa realidade interna de minha psicologia, esses movimentos mentais, essas reações psicológicas voluntárias e involuntárias, interferindo na vida de relação, sem o auxílio e a orientação da luz do conhecimento?

A ETERNA BUSCA




A ETERNA BUSCA


Marco Aurélio Bicalho Abreu Chagas

O homem busca desde quando sua condição passou a ser a de nômade. Buscou novas terras e hoje ainda continua em sua busca. E espiritualmente o que busca e sempre buscou?


É uma busca incessante. Ao conquistar algo, continua buscando. O que, no fundo, buscamos? A felicidade? Melhores condições de vida?


Certa vez um rapaz saiu em busca de algo que não sabia bem o que era. Queria ser melhor, fazer o bem, ser útil. E buscava, buscava. Andou, andou e não encontrava, ou imaginava ter encontrado aquilo que procurava sem saber o que era.


Cada um internamente está buscando algo e inconscientemente.


Alguns fatos vividos inconscientemente foram se revelando para ele e lhe mostrando alguns fios imperceptíveis dessa trajetória e que ao virem à tona justificavam os episódios que desaguaram no encontro com esse grupo de seres e mostraram àquele jovem que a aproximação ao citado grupo não foi por acaso.


Relatarei alguns fatos que se revelaram e de certa forma mostraram ao jovem que buscava, a trajetória dessa busca e que repito não foi por acaso, e são fatos que têm a ver com essa procura.


Ao completar quinze anos de idade o pai do jovem de nosso relato o presenteou com um livro de gramática da língua e numa das primeiras páginas se podia ler:

"PROCURAI ALGUMA CAUSA NOBRE, E ENTREGAI-VOS A TRABALHAR POR ELA; LÊDE ALGUM LIVRO DE FORÇA MORAL, E SATURAI-VOS NO SEU ESPÍRITO; PROCURAI UM GRUPO DE PESSOAS COM AS MESMAS ASPIRAÇÕES QUE TENDES, E FILIAI-VOS A ELE."


O tempo passou e esse jovem se juntou a um grupo que aspirava ao aperfeiçoamento e para isso se dedicava ao estudo e prática de uma ciência, que chamavam “a ciência da vida”.


Com o correr do tempo aprendera que para alcançar o que buscava teria que empreender uma viagem ao mundo interno e, para tanto, teria que se preparar intensamente para essa empreitada, estudando, estudando e praticando muito.


Nesse mundo encontraria uma série de coisas que o habilitariam a descobrir o que realmente buscava.


Não encontrando o que se busca. Continuar buscando, porque segundo dizem: “buscando se encontra”, ou “o que o busca, o encontra”.


E a busca continua... Jamais cessar na busca... A vida, em realidade, é uma constante busca.

terça-feira, março 28, 2006

INFÂNCIA DES - VALIDA

Não deixemos morrer a criança que há de viver em nós e
alimentemos a esperança de que a infância não desapareça! Que as gerações
futuras tenham uma infância mais longa até, quem sabe, aos treze, catorze,
quinze, dezesseis, dezessete anos!!!...




A infância é uma fase da vida do homem mágica, única e inesquecível. Quem não se recorda com carinho e felicidade dos momentos vividos em sua meninice?

Quem não se sente bem ao evocar a criança que possui dentro de si e que não deverá morrer nunca?

Ah! E as brincadeiras da vida infantil? E as peraltices? As artes e mais artes praticadas inocentemente e sem maiores conseqüências e que deixavam os adultos de cabelo em pé!

E os primeiros anos de escola! A merendeira, bem maior que a pasta de cadernos e lápis. E as massinhas, cada uma de uma cor que atiçavam a imaginação. Sem falar dos lápis-de-cor, lindos que dava vontade de devorá-los, de tão apetitosos que eram!

E os lanches! O do coleginha sempre era mais gostoso.

E os sucos de groselha, docinhos! E com aquele cheirinho peculiar.! Ainda hoje sinto aquele cheiro. Cheiro de infância, de coisas de menino!!

E as fugidas para a rua, após fazer os deveres de casa! E as brincadeiras de passar anel, mãe-da-rua, minha-direita-está-vaga, cantigas-de-roda, cabra-cega, etc.

E os teatrinhos improvisados com os lençóis branquinhos que tirávamos da cama de casal. E as brigas de travesseiros! Quem não se lembra! Eram ótimas.

Não me esqueço dos dias de chuva. Corríamos para a rua e ficávamos dentro da enxurrada que escorria nos cantos da rua. Um pé no meio-fio e o outro chutando a água que descia. Ninguém se machucava. Era muito divertido!

Na infância da gente tinha tempo de tudo. Tempo de manga, tempo de jabuticaba, tempo de goiaba, tempo de soltar papagaio (pipa), tempo de andar de bicicleta, tempo de chupar sorvete, tempo de comer pipoca, tempo de nadar, tempo de ficar à-toa, tempo de merendar, tempo de férias, tempo de fogueira, tempo de doce de laranja, tempo de rodar pião, tempo de jogar finca, tempo de brinca de bolinhas de gude, tempo de colecionar figurinhas de futebol, tempo de chuva, tempo de frio, de calor, tempo até de contrair alguma doença como catapora, sarampo, coqueluche, gripe. Tempo de tomar óleo de rícino. Tempo de tomar banho de mangueira. Tempo de brincar, brincar e brincar...

Aos domingos, após aquele almoço, quase sempre, uma suculenta macarronada bem vermelha acompanhada de muitas coxas de frango, íamos para a rua brincar de esconde-esconde ou então ficávamos sentados na varanda conversando sobre os mais variados assuntos juntamente com as pessoas grandes. A casa sempre cheia, papai, mamãe, as tias e os irmãos e vez ou outra um vizinho.

À noitinha nos aprontávamos para ir à praça ver a banda de música tocar no coreto. Era uma festa! Sempre havia um carrinho de pipoca para tornar aquele ambiente festivo. Os moços vendendo balões coloridos e o velhinho vendedor de algodão-doce. Não se pode esquecer dessas imagens que ficaram gravadas em nossos corações de menino!

Hoje o sonho acabou. As crianças estão desaparecendo. A pessoa fica adulta cedo. Com nove, dez anos o menino se foi. A inocência cedeu o seu lugar ao instinto e aquela criança de dez anos se transforma num adulto interessado em coisas de um mundo que está muito longe, distante daquele mundo mágico da infância, daquela infância que se estendia até aos quinze, dezesseis anos, ou até mais.

Por que acabaram com a infância ou querem reduzi-la até que desapareça?!

Voltemos a aspirar que as gerações futuras voltem a ter um tempo mais longo de infância, de inocência, de sonho, de mágica, de cores, de festas, de brincadeiras...

Texto publicado: NETLEGIS e no ODIREITO

sexta-feira, janeiro 20, 2006

POEMA: O DRAMA DO SAPO DECLAMADO



OUÇA A RÁDIO MUNDIAL!
PROGRAMA CAFÉ BRASIL
RÁDIO BLOG . Clique no site:
http://www.lucianopires.com.br/ Quando o site abrir, abrirá também uma janela em pop up com a rádio blog. Corra até o programa 12 e clique duas vezes. OUÇA O POEMA: O DRAMA DO SAPO, declamado por Luciano Pires.

sábado, dezembro 31, 2005

A VONTADE DE APRENDER ... a última a morrer.

A VONTADE DE APRENDER... a última a morrer.

Marco Aurélio Chagas

Assim bem diz o ditado:

A esperança é a última

que haverá de morrer.

E quebrando paradigmas,

que tal deva acontecer,

deverá ser a vontade,

de mui querer aprender.

segunda-feira, julho 04, 2005

ALGUNS ARTIGOS PUBLICADOS NO UNIVERSO JURÍDICO

PRESTADORAS DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS ISENTAS DO RECOLHIMENTO DA COFINS
É POSSÍVEL À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CONTRATAR SEM LICITAÇÃO, EM CASOS ESPECÍFICOS
O USUFRUTO, A SUA TRANSCRIÇÃO E EXTINÇÃO
A CONSTITUIÇÃO NA PRÁTICA
O VOTO - UM DIREITO POLÍTICO
A AMPLIAÇÃO DA INTELIGÊNCIA HUMANA
A ESTABILIDADE SOCIAL DEVE PREVALECER ACIMA DE TUDO
A LEI DE IGUALDADE
A LIBERDADE
A MISSÃO DE DISTRIBUIR JUSTIÇA
PEQUENAS EMPRESAS: PRESSÃO INSUPORTÁVEL
A INICIATIVA PRIVADA NA DEMOCRACIA
A PAZ COMO RECOMPENSA
O SEGREDO DA PAZ
O SER HUMANO QUER A PAZ
PENSAMENTOS DE PAZ
UM OÁSIS DE PAZ
PARA ENTENDER OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS
VALORES ÉTICOS NO EXERCÍCIO DA ADVOCACIA
UMA NOVA CONCEPÇÃO DO DIREITO
O USO DO "FAX" NO JUDICIÁRIO
A AÇÃO MONITÓRIA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA
PRESTADORAS DE SERVIÇOS RECOLHEM SESC/SENAC?
QUESTÕES FISCAIS EM DISCUSSÃO
CONDOMÍNIO NÃO PODE SACAR LETRA DE CÂMBIO
NOTAS DE EMPENHO, BASE PARA PROPOR MONITÓRIA
PROVEDOR OBRIGADO A RECOLHER IMPOSTO
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO
IMÓVEL É OU NÃO É MERCADORIA PARA EFEITO DE COBRANÇA DA COFINS?
PROVEDOR OBRIGADO A RECOLHER O ISS OU O ICMS?
EXIGÊNCIAS FISCAIS ATROPELAM A CONSTITUIÇÃO
A DOUTRINA DA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE

ALGUNS ARTIGOS PUBLICADOS NO JUS NAVIGANDI

Jus Navigandi - Doutrina - A ação monitória contra a Fazenda Pública
Jus Navigandi - Doutrina - Contribuição Social sobre o Lucro: inconstitucionalidade
Jus Navigandi - Doutrina - Notas de empenho, base para propor monitória
Jus Navigandi - Doutrina - Exigências fiscais atropelam a Constituição
Jus Navigandi - Doutrina - A doutrina da função social da propriedade no Direito Agrário
Jus Navigandi - Doutrina - O uso do fax no Judiciário
Jus Navigandi - Doutrina - Questões fiscais em discussão
Jus Navigandi - Doutrina - Prestadoras de serviços profissionais isentas do recolhimento da COFINS. Súmula confirmada pelo STJ
Jus Navigandi - Doutrina - Imóvel é ou não é mercadoria para efeito de cobrança da COFINS?
Jus Navigandi - Doutrina - A estabilidade social deve prevalecer acima de tudo
Jus Navigandi - Doutrina - Programa de Recuperação Fiscal - REFIS: S.O.S. às empresas em débito com o Fisco
Jus Navigandi - Doutrina - Uma Justiça Falida
Jus Navigandi - Doutrina - Como fica a compensação do Finsocial com o COFINS
Jus Navigandi - Doutrina - A iniciativa privada na democracia

quarta-feira, junho 01, 2005

O PUDOR

Na conceituada Coluna "ANNA MARINA", do jornal "Estado de Minas", sob o título "Pudor, artigo em falta em nosso Brasil", a articulista interina Heloisa Aline Oliveira, em certa altura do seu artigo pondera que:
"Não que eu seja moralista, mas ultimamente, me intriga como as pessoas, de maneira geral, botam suas intimidades na rua despudoradamente, como se isso fosse sinônimo de modernidade."
Em outro trecho, refere-se às cenas eróticas e violentas ou de horror que entremeia os programas destinados ao público infantil, nos canais de televisão, em franco desrespeito, a nosso ver, à inocência da criança, desse ser humano em formação, esquecendo-se os responsáveis por isso, a que a influência negativa dessas imagens na mente do menor é desastrosa.
Ora, dois pontos importantes e que merecem profundas reflexões foram tocados nesse trabalho, ou seja, a preservação da intimidade de cada um, valor conquistado pela humanidade através dos tempos e que hoje mais do que nunca está sendo perdido, em prejuízo da felicidade do ser humano e o outro, o da preservação da mente infantil, fértil por excelência, e que deve ser cuidada e preservada pelo adulto responsável, como um tesouro, onde as imagens ali plasmadas ficam indelevelmente impressas, comprometendo para o bem ou para o mal, o caráter em formação do futuro ser adulto.
Ao tornar pública a intimidade o ser está vivendo e se colocando fora de si mesmo, fica vulnerável à maledicência alheia, perdendo todo o controle e domínio do que lhe pertence e lhe é próprio, resultando disso um profundo vazio e tristeza, inexplicáveis.
Pouco se tem falado sobre o pudor, valor moral que o ente humano traz consigo naturalmente e que na convivência hipócrita dos nossos dias é perdido pouco a pouco, irremediavelmente, em nome de uma falsa modernidade e modismos que poderiam ser "normais" para o momento, talvez, mas que não são naturais para a vida.
Não poderiam ser essas as causas da infelicidade humana, ao não saber preservar a própria intimidade e romper, de forma violenta e criminosa, a inocência da infância, forçando a criança a tomar contato com cenas fora de sua realidade da infância?
Quem não preserva a sua intimidade não pode dizer que pertence a si mesmo.
Não cometeria um desrespeito a seu próprio ser aquele que torna público o que pertence exclusivamente a sua privacidade, uma vez que ninguém tem o direito de defraudá-la?
Não ofenderia a dignidade humana tal atitude?
E esse direito à intimidade está consagrado na Norma Constitucional de 1988, ao afirmar textualmente que:
"São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;"
A nossa intimidade representaria, analogicamente, a nossa casa mental, interna, que à semelhança da moradia, deixaremos entrar e participar dela aquelas pessoas selecionadas por nós. Algumas, atenderemos na sala, outras terão o direito de estar na sala de jantar e outras, dado o grau de amizade e afeto, as receberemos na cozinha. Definitivamente, nossa casa, nosso lar, não é um recinto público onde entram e saem as pessoas indistintamente. Algo semelhante, segundo a imagem analógica, deveria acontecer com nosso recinto interno, representado por nossa intimidade, reduto inviolável.
Há pessoas, entretanto, que vivem fora de sua casa e só a ela recorrem para dormir. Vivem mais tempo fora de si mesmas e, desse modo, não são, infelizmente, donas de suas próprias vidas.
É preciso que retornemos ao cultivo de determinados valores morais perdidos no tempo. Resgatar esses valores como a honestidade, a honradez, o respeito, a intimidade, o pudor e outros, não seria uma forma inteligente de se alcançar a felicidade?
Vive-se voltado para fora enxergando valores físicos e perecedouros, aprendamos a olhar para dentro e veremos outra classe de valores que enriquecerão a nossa vida moral, tão esquecida nessa sociedade consumista e distante do cultivo dos reais tesouros que a natureza pode nos brindar e que se encontram encerrados dentro de nós mesmos.

Marco Aurélio Bicalho de Abreu Chagas
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